terça-feira, 8 de novembro de 2011

3.2 - A convocação das ovelhas

A convocação das ovelhas e cordeiros
Chegada já a véspera do Natal, Deus chamou o anjo Fanuel para que cumprisse a terceira parte da sua missão.
– Fanuel, Eu gostaria de dar uns cordeiros e umas ovelhas ao meu Filho, que vai nascer amanhã, como presente de Natal. Deves, portanto, convocar as ovelhas e os carneiros para o Natal. Desta vez, não precisas convencer o pastor que as vigia: basta que convenças um pequeno grupo de ovelhas e cordeiros para que se dirijam ao presépio.
– Mas, Senhor, não haverá problemas com o pastor? Não ficará muito triste de perder essas ovelhas?
– Não te preocupes, pois já pensei em tudo. Na verdade, muito em breve devolverei as ovelhas ao pastor. Elas só ficarão uns dias com a Sagrada Família, para oferecerem ao Menino a sua mansidão e o seu calor. E assim atrairei ao presépio o pastor, que sairá à procura das suas ovelhas, de maneira que também ele possa conhecer o Messias prometido.
Depois de ouvir a explicação, Fanuel saiu como um raio em direção a um pequeno grupo de ovelhas que estava perto da gruta de Belém. Apareceu com um grande clarão e disse às ovelhas:
– Não tenham medo, mansas ovelhinhas, pois lhes trago boas novas: Deus escolheu-as para o seu presépio, para que vocês vejam o Salvador que vai nascer amanhã na gruta de Belém.
Mas todas as ovelhas responderam a uma só voz:
– Tem certeza? A nós?!
E todas olharam para a ovelha mais velha, escolhendo-a como porta-voz. Fanuel perguntou-lhe:
– Qual é o seu nome, ovelha-líder?




– Meu nome é Alba, mas as outras me chamam de Dona Branca, pela minha idade. Fanuel, você tem certeza de que Deus nos escolheu? Não passamos de umas pobres ovelhinhas muito comuns!
– Alba, como não temos muito tempo, vou dar-lhe um só argumento: vocês são os animais prediletos de Deus, tanto assim que o Emanuel, Deus-conosco, quis ser representado por um Cordeiro.
Todas as ovelhas, impressionadíssimas, exclamaram a uma só voz:
– Oh!!
– Não conhecem as profecias?
– Fanuel, ninguém nos contou. Você se importaria de no-las contar?
– Jesus foi descrito pelo Profeta Isaías, no momento da sua morte, como um cordeiro: “O castigo pelas nossas faltas, que devia cair sobre nós, caiu sobre Ele. Maltratado, não abriu a boca, como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha muda nas mãos do tosquiador”.
– Fanuel, que passagem bela e poética! Mas que significa realmente?
– Jesus, que nascerá amanhã, vem à terra para padecer. Ele é o verdadeiro Cordeiro do sacrifício que tirará os pecados do mundo, pois derramará o seu sangue até a morte pelos homens, pela purificação dos seus pecados e faltas. Ele, que nunca cometeu pecado, morrerá pelos pecados dos homens.
Quando Fanuel olhou, todas as ovelhas estavam chorando com a sua explicação.
– Não fiquem assim. Logo depois Ele ressuscitará e irá para o céu, onde ficará como Cordeiro Imolado, mas vivo.
– Pode deixar, nós iremos para onde você disser. Mas será que não podemos morrer no lugar do Cordeiro Imolado?
– Não, isso não será possível porque só Ele pode resgatar os homens dos seus pecados.
– Fanuel, não se esqueça de que dizem de nós que temos personalidade fraca, e acrescentam em tom de pena: “Coitada, não passa de uma ovelhinha!”
– Alba, sei muito bem que esse é um preconceito comum, mas é inaceitável: as ovelhas não são seres sem personalidade! Ser manso exige uma personalidade marcante! Só quem é forte por dentro consegue não dar rédeas soltas aos seus sentimentos, dominar as suas primeiras reações de indignação, conter os acessos de ira, não ter manifestações temperamentais desmedidas e manter a serenidade e a paz interior em qualquer situação, mesmo nas mais difíceis e cheias de conflitos. E sabe fazê-lo porque tem um grande domínio de si mesmo: dos seus sentimentos, das suas palavras e das suas reações. São fracos, sim, os que explodem com qualquer coisinha, os que perdem a serenidade diante da menor contrariedade.
Quando o Cordeiro que tirará o pecado do mundo percorrer estas terras, mostrará que ser manso é também ter zelo pelas coisas de Deus, a ponto de expulsar da sua casa os que dela fazem uma feira-livre, de corrigir com energia as pessoas que erram, mas sem humilhá-las nem machucá-las, e de gastar-se e desgastar-se a serviço dos outros. Assim, mudará a imagem que as pessoas têm dos cordeiros e das ovelhas. Por isso, Alba, tenho a certeza de que, se alguma coisa não estiver bem no presépio, vocês serão as primeiras a tomar alguma iniciativa para resolver o problema.
Alba e as suas companheiras dirigiram-se todas alegres para o presépio. Como a gruta era pequena e já estavam lá uma vaca e um burro, só a Alba entrou, depois de combinar com as outras que, no momento certo, as chamaria para que, uma após a outra, também pudessem ver o Menino Jesus. Alba entrou de mansinho e pôs-se atrás do burro e da vaca. Quando Maria e José se deram conta da sua presença, não acharam mal e deixaram-na no seu cantinho.