quarta-feira, 9 de novembro de 2011

2.2 - A figura da vaquinha do presépio

– Vó Zuza, a senhora pode explicar-me de que pessoas a vaca é figura?
– Miro, já lhe tinha dito que assim se perde a graça. Por que você não se arrisca a interpretar a história da Criação?
– É que tenho medo de errar na minha interpretação.
– Não tenha medo. Se você errar, eu o corrijo. Mas não quero dar a explicação de mão beijada.
– Então vou arriscar. A senhora disse que a vaca daria a sua carne como comida e que alimentaria abundantemente outros seres. Penso que essa passagem faz referência à Eucaristia. Pois Jesus deu a sua própria carne para alimento da nossa vida espiritual.




– Você arriscou mesmo e quase acertou! Mas a vaca não é figura de Jesus presente na Eucaristia, e sim o cordeiro. Tudo o que você disse se aplica perfeitamente ao cordeiro. Você nunca reparou no que diz o padre João Romão, na Missa, ao levantar a hóstia consagrada antes da comunhão?
– Acho que me lembro, sim. É verdade! Ele diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
– Então, Miro! Mas vamos deixar o cordeiro de lado, pois agora estamos falando da criação da vaca. Deixe-me explicar-lhe. Há dois alimentos principais para o nosso espírito, a Eucaristia, como você bem disse, e a palavra de Deus. Como diz a Bíblia, nem só de pão se alimenta o homem, mas também de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Saciam a fome e sede de felicidade e de bem dos outros as pessoas que conhecem bem a palavra de Deus, a põem em prática e a ensinam aos outros. Assim fortalecem muitas vidas cristãs, para que se mantenham firmes contra as tentações, contra os maus costumes do ambiente em que vivem.
Conheço muitos sacerdotes que estudam a palavra de Deus e preparam bem as suas homilias de domingo, e assim alimentam as pessoas saciando a sua fome de verdade e de Deus. Alimentam as crianças com o leite espiritual tantas professoras de catecismo, que explicam pacientemente as principais verdades da fé, preparando os seus alunos para a primeira Comunhão e para a vida.
E a palavra de Deus, meditada na leitura do Evangelho, bem “ruminada” no estudo da doutrina da Igreja, torna-se saborosa como o melhor doce-de-leite do mundo, como a mais gostosa ambrosia. Quem a saboreia quer depois dá-la a conhecer, adoçando também a vida das pessoas que se encontram à sua volta.
– Então, vó Zuza, a vaca, com o alimento da sua carne, representa todas as pessoas que ensinam a palavra de Deus na igreja?
– Não só essas pessoas. Representa igualmente aquelas que sabem ensinar a palavra de Deus com a vida. Cristãos que abrem o seu coração com simplicidade aos colegas, e conseguem inflamá-los com o seu amor a Deus e aos outros, com os seus valores e ideais elevados, com o seu desejo de santidade. Eles não se encontram somente nas igrejas, mas em qualquer lugar deste mundo de Deus. O bom exemplo de vida cristã de tantos pais em suas casas e de muitos colegas nas escolas e nos ambientes de trabalho é o arado que remove o coração de muitos, abrindo sulcos profundos, para que depois a palavra de Deus penetre a fundo e não encontre resistências.
– Mas o contrário também é verdade: não adianta apenas falar bonito, pois se a pessoa não vive o que fala, as outras pessoas não a ouvem e, além disso, pensam: quem é esse para me falar disso?
– É verdade. Mas não é preciso sermos perfeitos em um assunto para falar dele; basta que vejam que nos esforçamos por viver aquilo que ensinamos.
– Vó, e o que significa o berrante na história da criação da vaca?




– Significa os bons costumes cristãos adquiridos na infância, como por exemplo oferecer o dia a Deus, abençoar os alimentos, rezar alguma oração em família, montar o presépio na época de Natal... Com o tempo, esses costumes soam alto na memória e no coração das pessoas e as fazem retornar ao caminho seguro. Mais alguma pergunta sobre a criação da vaca?
– Tenho sim: por que Deus quis alertar a vaca sobre o perigo da vaidade?
– Ora, porque a vaidade é o grande perigo, a tentação mais forte das pessoas boas e que sabem muito, e que ensinam aos demais as verdades de Deus. Como muitas vezes ficam em evidência e recebem elogios do povo, podem atribuir a si mesmos o que é resultado principalmente da graça e da palavra de Deus nas suas vidas.
– Deve haver muitas vacas e bois por esse mundo de Deus, não é verdade?
– Muito menos do que você pensa, Miro!
– Mas os pais não se preocupam em ensinar aos filhos as verdades sobre Deus e o mundo? E não ensinam os seus filhos a comportar-se de forma cristã?
– Não pense que todos os pais por aí são como os seus. Sem dúvida que todos os pais querem o bem dos seus filhos, e lhes dizem que devem ser bons, que devem fazer o bem, mas não indicam como podem ser bons, nem o bem que deve ser feito. Às vezes, não falam porque não sabem, outras vezes porque não vivem o que dizem. E os filhos acabam ficando desorientados no mundo.
– E o que esses pais deveriam dizer aos seus filhos?
– O que os pais cristãos sempre disseram: que a fé é para ser vivida, que a nossa felicidade está em seguir os mandamentos de Deus, que devem levar uma vida de oração e de amizade com Deus, que é importante ir à Missa, que é preciso respeitar os mais velhos, que não se deve roubar, nem mentir, que não sejam consumistas, que perdoem aos demais, que sejam pessoas de paz, que vivam a castidade e se guardem para o casamento e sejam fiéis. Tudo isso e muito mais.
– Vó Zuza, se a senhora deixar, vou colocar a figura da vaca mais perto da figura do Menino Jesus, pois acho que ela merece.